sexta-feira, maio 29, 2009

RÁDIO TEATRO

Não, não se trata de nenhum programa de jornalismo típico. O que gostaria de ouvir mesmo é algo nunca escutado na história das nossas rádios, pelo menos do pouco que eu conheço das nossas estações radiofónicas.Apetecia-me escutar programas de rádio teatro ou se quiserem de rádio drama. Se é ignorância minha dizer que nunca houve programas do tipo nas nossas rádios, peço desculpas e apelo a que me corrigem.

O que é afinal rádio teatro? Rádio teatro ou rádio drama é uma narrativa folhetinesca sonora, nascida da dramatização do género literário novela, produzida e divulgada em rádio.
Rádio teatro baseia no dialogue, na música e nos efeitos sonoros para ajudar o radiouvinte a imaginar a estoria. Costuma-se dizer que os grandes mestres da magia eram os sonoplastas, que para estimular a imaginação das pessoas, reproduziam todo tipo de sons e ruídos: o som da chuva, do telefone, da passagem de tempo, dos passos dos personagens.

Crê-se que rádio teatro surgiu na década de 1920 e rapidamente atingiu popularidade mundial. Em 1940 já era o entretenimento popular mais escutado.
Provavelmente o mais conhecido episódio na história do rádio teatro é a adaptação de Orson Welles do “The War of the Worlds” (a Guerra dos mundos de 1938) em que muitos ouvintes acreditaram ser real notícias difundidas sobre uma invasão vinda de Marte.
Na América o primeiro programa de rádio teatro foi ao ar em 1921 numa rádio de Pittsburg. Em 1930 programas de rádio teatro já eram populares nos Estado Unidos, nos seus diferentes géneros: comédias, novelas e de suspense.
Em Alemanha, o primeiro programa de rádio teatro “Magia na Rádio” estreou em 24 de Outubro de 1924.

No Brasil a primeira radionovela transmitida pela rádio aconteceu no dia 12 de Julho de 1941. O público pôde acompanhar durante quatro anos a novela "Em busca da Felicidade", pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro. O "Direito de Nascer", de autoria do cubano Felix Caignet e adaptado por Érico Silva para a mesma emissora foi também líder de audiência.

Em Portugal, especialmente nas décadas de 1930 a 1960, o teatro radiofónico praticamente tinha o papel social que hoje é representado pelas telenovelas. Segundo consta a primeira estação a transmitir uma peça de teatro foi a CT1DE - Rádio Lusitânia, em Fevereiro de 1930.
Com o advento da televisão em 1950, os programas de rádio teatro perderam alguma da sua popularidade, e em alguns países nunca mais recuperaram a grande audiência.

Hoje em dia este género de programa desapareceu dos autofalantes das rádios de muitos país. Na América algumas rádios limitam-se a passar programas feitos nas décadas passadas. Mas em países como Inglaterra continua-se a produzir programas originais de rádio teatro. Por exemplo a BBC produz e transmite centenas de novos programas todos os anos nas Radio 3, Radio 4,e BBC Radio 7.

Mas com o crescimento do fenómeno Podcasting, os programas de rádio teatro parecem estar a ganhar um novo alento e uma nova forma de sobrevivência através da Internet.
Já agora podcasting (contracção das palavras “ipod” e “broadcasting” às vezes chamado “podcast”) é uma tecnologia de divulgação de ficheiros multimédia (áudio, vídeo, foto, pps, etc...) pela Internet, através de um Feed RSS, que permite aos utilizadores acompanhar a sua actualização.

imagem:http://radioteatroimaginario.blogspot.comFontes consultadas:http://en.wikipedia.org/wiki/Radio_dramahttp://www.dw-world.de/dw/article/0,,314093,00.htmlhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Radionovelahttp://ouvidor.blogspot.com/2006/05/histria-do-teatro-radiofnico-em-livro.htmlhttp://pt.kioskea.net/contents/www/podcast-podcasting.php3

Casa dos Jornalistas

quinta-feira, maio 28, 2009

Cooperação francesa vai apoiar a Inforpress

A embaixadora da França em Cabo Verde, Christine Glasse, visitou esta semana a agência Inforpress. Uma visita que os responsáveis dessa empresa de comunicação, consideraram de muito positiva, já que a diplomata francesa manifestou a intenção de procurar parceiros para financiar alguns projectos que a Inforpess tem em carteira.


A inforpress que acaba de modernizar a sua redacção com a aquisição de novos materiais informáticos e de reportagem, pretende agora expandir as suas acções para a área do audiovisual. Nesse sentido está a procura de parceiros que possam ajudar na materialização desses projectos.

E o presidente do conselho da administração da inforpress, José Mário Correia, encara com satisfação a intenção da embaixada da França de ser interlocutora na procura de financiadores para ajudar a agência nacional de notícias a estender as suas acções a área do audiovisual.

A embaixadora Christine Glasse analisa de forma positiva o trabalho que a Inforpress tem desenvolvido, por isso se mostra disponível a ajudar agência de notícias cabo-verdiana a encontrar financiadores para a implementação do projecto audiovisual. Para já, fica o compromisso da embaixada em apoiar a agencia Inforpress no domínio da tradução de textos para a língua francesa.

Embaixadora da França em Cabo Verde, Christine Glasse, visita a Inforpress, e se disponibiliza a procurar parceiros para o financiamento de alguns projectos que a citada agencia tem em carteira.

quarta-feira, maio 27, 2009

OJE CABO VERDE JÁ ESTÁ NAS BANCAS

Cabo Verde já tem um Jornal Económico, o OJE Cabo Verde. O projecto apresentado ontem na cidade da Praia insere-se na estratégia de internacionalização do jornal Oje Portugal e revela, de acordo com o administrador Marcos Rodrigues, uma nova forma de abordagem da informação económica.

O Jornal OJE Cabo Verde, cujo primeiro número já se encontra nas bancas tem a pretensão de trazer uma perspectiva global sobre a economia do país e ser uma ferramenta útil aos decisores económicos. O jornal trará, em cada edição, conteúdos económicos, com destaque para uma grande entrevista além de artigos de opinião de empresários nacionais, e outras duas secções destinadas a variedades e ao desporto.

O administrador Marcos Rodrigues considera ser este um importante investimento na estratégia de internacionalização da edição portuguesa do OJE, lançada em 2006, e justifica, assim, a escolha de Cabo Verde como o primeiro mercado alvo.

Uma das inovações do projecto tem a ver com a distribuição, que será, numa primeira fase, gratuita, isso, garante o administrador Marcos Rodrigues, sem perigo de sustentabilidade do projecto. Outra novidade é a sua distribuição simultânea em Cabo Verde e Portugal.

O jornal OJE Cabo Verde será editado semanalmente à Quarta-feira, numa impressão totalmente a cores, e terá uma circulação de sete mil e 500 exemplares, distribuídos em cerca de 160 pontos da ilha de Santiago, entre empresas, organismos estatais, universidades e centros hoteleiros, nesta primeira fase e, posteriormente, nas outras ilhas.

O jornal terá, também, uma versão on line, em www.oje.publ.cv, numa estratégia de complementaridade e maior acessibilidade, particularmente para a diáspora cabo-verdiana. O investimento, de capital português e cabo-verdiano, está orçado em cerca de um milhão de euros.

Joana Olinda Miranda

terça-feira, maio 26, 2009

Gambôa: entre o elogio e a crítica


Mais um festival de música passou à história. Perduram ainda os comentários sobre o certame, sobretudo no que diz respeito à organização e ao cartaz apresentado este ano pela Câmara Municipal. Analisando as opiniões recolhidas pelos órgãos de comunicação social que fizeram a cobertura do festival, conclui-se que, no geral, a festa foi boa, mas podia ter sido melhor.

As pessoas ouvidas pelos media dão nota positiva aos aspectos ligados à organização (o cumprimento dos horários de actuação das bandas, reduzido tempo de intervalo, etc.), ao saneamento (brigadas de limpeza em permanência durante o show, colocação de contentores e sanitários ao longo do areal, etc.), à segurança (postos de acesso ao local do espectáculo, revistas para a detecção de armas brancas e de fogo), à localização das barracas de comes e bebes, que este ano ocuparam um dos lados da Avenida dos Combatentes, separando fisicamente o álcool da música.

As críticas mais ouvidas prendem-se com o reduzido tempo dos concertos (das 21 às 2 da manhã) e à pouca diversificação das bandas e artistas convidados para a edição deste ano. Isso já para não falarmos da redução dos dias de actuação, de três para dois.

Do meu ponto de vista, se o festival da Gambôa quer continuar a trilhar os caminhos que o hão-de integrar no circuito dos festivais do mundo, podendo ser uma referência para o continente africano, deve-se apostar na qualidade do cartaz dos espectáculos.

O Gambôa não pode transformar-se numa sessão de apresentação de finalistas do “Todo o Mundo Canta”, por mais simpatia que mereça a descoberta de talentos. Por que é que não se montou um palco alternativo para a actuação dos novos talentos, o que para já seria uma alternativa para as milhares de pessoas que estiveram durante toda a tarde/inicio de noite a deambular pela areia ou de barraca em barraca para matar o tempo?

Por que é que não se aposta também nos muitos e bons Djs que a cidade da Praia possui. Ninguém questiona a qualidade da Lura, do Tito Paris, do Boss AC, dos Ferro Gaita, do Jay (um dos momentos altos do festival) … mas apostar também em grandes nomes da música internacional só engrandece o Gambôa, que não pode descambar num provincianismo. O próprio Estatuto Especial que a cidade da Praia exige (e merece) obriga a que ela esteja de facto à altura das grandes capitais, pelo menos em termos de uma agenda cultural.

Está demonstrado que as Câmaras Municipais não têm competência técnica, nem tão-pouco vocação para organizar festivais, carnavais e quejandos. Por que não se avança para a exploração privada dessas actividades, apostando no profissionalismo daqueles que nessas lides?

Em relação ao horário de fecho do festival, a Câmara Municipal lá tem os seus motivos para acabar com o festival de forma tão abrupta, deixando os milhares de pessoas que acorreram ao Gambôa com o sentimento de um “recolher obrigatório”.

Para não variar, há sempre críticas por parte da comunicação social, sobretudo da rádio e da televisão, em relação às condições de trabalho e de liberdade de acesso ao espaço reservado aos artistas para entrevistas, antes e depois das actuações. Há quem fale mesmo em limitação da liberdade de informação. Da minha parte tenho sérias dúvidas.

Segundo o Estatuto do Jornalista, este goza, no exercício da sua função, do acesso às fontes oficiais de informação, com os limites previstos na lei; não ser detido afastado ou, por qualquer forma impedido de desempenhar a respectiva missão no local onde seja necessária a sua presença como profissional de comunicação social, nos limites previstos na lei; livre-trânsito e permanência em lugares públicos onde se torne necessário o exercício da profissão, etc.

Lá por nos ser vedado a entrada no camarim dos artistas para entrevistas depois da sua actuação em palco, não prefigura uma limitação ao direito de informação. Apesar de estarmos num local que se pode considerar público, a praia, a organização do evento é privada (esteve à cargo da empresa Everything is New), tendo, aliás, Super Bock entrado com 15 mil contos em forma de patrocínio). Os próprios artistas são pagos pela actuação. Uma coisa é recolher sons e imagens para a informação do público (peças para os jornais), outra coisa, bem diferente, é a transmissão em directo e integral do espectáculo (inclui entrevistas promocionais com os artistas) para a qual torna-se necessário assegurar os competentes direitos. Não me parece que tenha sido o caso. Talvez para a próxima seja bom negociar com a organização todos estes aspectos.

sexta-feira, maio 22, 2009

Gâmboa nas ondas da rádio


A Rádio de Cabo Verde transmite, uma vez mais, o festival de música da Gambôa que completa 17 anos. A emissão, no stop para todo o mundo, começa esta noite quando forem 20:45 minutos e mobiliza um total de 20 profissionais, entre jornalistas, técnicos e staff de produção. Para além da transmissão dos concertos e das entrevistas com os artistas convidados, a RCV apresentará ainda pequenos apontamentos de reportagem que descrevam os ambientes, o saneamento, a segurança e outros aspectos salientes deste certame. Por razões profissionais, o KRIOL RÁDIO regressa na segunda-feira para lhe contar tudo sobre o Gambôa 2009 que este ano homenageia Os Tubarões.


Sábado, 22 de Maio

21:00 - Tony Martins
21:45 - Boss AC
23:10 – Ferro & Gaita
00:35 - Jay e Banda

Domingo, 23 de Maio

21:00 – Batucadeiras Ká Ta Liga Nada
21:30 – Lura
22:55 – Tito Paris
00:35 – Israel Vibration


Segurança Máxima

Sob o lema "Tolerância Zero" é que a Polícia Nacional (PN), elaborou o seu plano de actuação durante as festividades da comemoração do Dia do Município da Praia, com destaque para o festival da Praia da Gambôa, nos dias 22 e 23. De acordo com o comandante da Esquadra de Achada Santo António, Manuel Varela, o plano envolve a mobilização de 400 efectivos, actuando na prevenção, reprimindo causas motivadoras de desordem pública e cometimento de transgressão com revistas de pessoas e viaturas para controlo de instrumentos que podem ser utilizados na prática de crimes.

O comandante, adianta ainda, que não vão tolerar actos de vandalismo e incivilidades. Quanto às vendedeiras ambulantes vai avisando: a PN não vai tolerar montagem de barracas não autorizadas.

Sobre o plano de actuação Varela, diz que um grupo avançado de agentes ocupará o terreno já a partir de amanhã, 21, durante 24 horas, contando ainda com giros fixo, semi-fíxo e móvel, enquanto que o dispositivo geral será montado na tarde dos dias 22 e 23. O policial adianta que os bairros circundantes da cidade da Praia, estarão protegidos com giros autos e apeados, também durante os dias do festival.

Quanto das estradas, o comandante avisa que haverá trânsito condicionado na Avenida dos Combatentes da Liberdade da Pátria, da rotunda da Cavalariça à rotunda de Chã D´ Areia, daí que as viaturas que circulam na via de Achada Santo António (Poeta) até o cruzamento que dá acesso ao "Marisol", será desviada para Prainha, enquanto que a via da rotunda do "Homem de Pedra" com destino a ASA, estará disponível, durante o festival.Estão envolvidos ainda nesta operação, a Câmara Municipal da Praia, o Serviço Nacional da Protecção Civil, a Cruz Vermelha, o Hospital "Agostinho Neto", a Guarda-fiscal, a Polícia Marítima, os Fuzileiros, a Polícia Militar, os Bombeiros e o Corpo de Intervenção.

O Comando aproveita para apelar ao civismo da população para que o festival decorra num clima de estabilidade, confiança e tranquilidade.









quinta-feira, maio 21, 2009

Troca de Galhardetes

“Troca de Galhardetes” é um "encontro" de dois profissionais de rádio com o mesmo horário de antena, mas de estações "concorrentes". Cada um aceita o desafio para fazer duas perguntas ao outro e mostrar a sua disponibilidade para responder às questões que lhe colocaram.

Assim, o encontro deste mês é entre João Paulo Meneses da “TSF” e Carina Costa da “M80”. Trata-se de uma iniciativa inédita a que o KRIOL RÁDIO adere, devendo apostar nos próximos tempos numa versão mais adaptada à realidade cabo-verdiana.



João Paulo Meneses: Tens noção de que a rádio que é basicamente um giradiscos de «playlists» está progressivamente ameaçada pela concorrência digital (desde os iPods aos «cotonetes»)? De que forma achas que podes fazer melhor do que os meus canais no Cotonete?

Carina Costa: Sim, a rádio gira-discos, está francamente ameaçada pela concorrência digital e acho que a médio prazo, será mesmo esmagada.

Há sempre quem prefira ouvir rádio, é certo, em vez usar o leitor mp3, ou iPod, mas acho que se uma rádio não tiver mais para oferecer ao ouvinte do que umas quantas músicas boas, então não faz melhor que os teus canais do cotonete, onde garantidamente, sabes que encontras todas as músicas que gostas, até porque foste tu que as escolheste.:)

Como animadora\ locutora\ comunicadora, posso fazer melhor que as “tuas músicas”, sim. Ao acrescentar a parte humana, posso potenciar as tuas músicas, fazer-te sonhar, vibrar, acompanhar-te no teu dia-a-dia, indo ao encontro da tua vida, das coisas comuns, das coisas que te fazem feliz e as que te entristecem, e se calhar, no final da semana, ou do dia, quem sabe?! Encontraste, ali naquela rádio, alguém que, mesmo que não conheças pessoalmente, se torna mais uma amiga, alguém que tem uma música boa para partilhar contigo, uma notícia de última hora, um desabafo sobre o tempo, enfim, alguém que sente e vive como tu, alguém com quem tens vontade de estar e de conhecer melhor.

Podes até nem gostar de mim, daquilo que te transmito ou dou a conhecer, mas se te irrito, se tenho um sentido de humor muito ácido, se mexo contigo, acredito também que terás vontade de voltar a ligar o rádio no dia seguinte.

Carina Costa: Há quem defenda que os profissionais de rádio, não ouvem rádio da mesma maneira que o ouvinte comum. Como jornalista, quando ouve notícias na rádio consegue pôr de lado o seu ouvido clínico?


João Paulo Meneses: Impossível. Deformação profissional. Nas férias opto, até, por não ouvir, para tentar afastar-me da vertente profissional. Porque ouvir notícias em rádio é ouvir as notícias em si próprias mas também a rádio, a sua linguagem, a sua maneira de fazer, etc (e este lado critico é muito acentuado)


João Paulo Meneses: Achas que a rádio musical está, genericamente, nas mãos das editoras?

Carina Costa: Quando estive numa rádio local, lembro-me de nos queixarmos da negligência das editoras. Enviavam-nos os singles que bem entendiam, e que nem sempre tinham alguma coisa a ver com o perfil musical da estação. “Nas rádios grandes é que era!!” Dizia-se até que algumas editoras tinham listas pagas que, dependendo do contrato e do dinheiro envolvido, determinavam quais as músicas e os artistas que deviam passar naquela rádio e até quantas vezes por semana.

Nunca vi, nem tive conhecimento de tal coisa. Há reuniões, sim. A editora aconselha novas músicas e artistas, as supostas melhores músicas, mas é a rádio que decide, tendo sempre em conta o seu formato musical e o público-alvo.

Com a revolução tecnológica, o aparecimento da Internet, e as novas plataformas de partilha de música, myspace e afins, e até mesmo através de anúncios, conhecemos mais música, mais artistas, alguns amadores que nem têm contrato com uma editora, e que de repente passam a ser um sucesso, um fenómeno, que toda a gente começa a conhecer, cantar e quer ouvir mais e mais… neste sentido, acho que hoje em dia podemos dizer que a rádio musical está, cada vez mais, na mão dos ouvintes.

A rádio está (tem de estar!) atenta a estes fenómenos. Vivemos tempos de mudança…


Carina Costa: Com o aparecimento da Internet, e com a vertiginosa velocidade com que a informação circula hoje em dia, considera que a rádio passou para segundo plano ou tem conseguido tirar partido da situação e com a sua constante adaptação será um meio ainda mais forte no futuro?


João Paulo Meneses: A rádio está com alguma dificuldade em se adaptar aos novos tempos, sobretudo a rádio musical, ameaçada, entre outros, pelos iPods e «cotonetes»; não acredito que seja um meio ainda mais forte mas acredito que a rádio musical pode sobreviver. Depende também de vocês, que fazem a rádio musical, todos os dias, adaptarem-se aos novos tempos que estão a chegar.

RCV+ não é concorrência da RCV


No rescaldo do lançamento oficial das emissões da RCV+ na região norte do país, a saber, S. Vicente, S. Antão e S. Nicolau, o KRIOL RADIO reproduz (em português) uma conversa com o director da Rádio de Cabo Verde, o jornalista Paulo Lima, transmitida no programa MANHÃS DA RÁDIO.

José Leite: Como é que a RCV está a preparar-se para o Verão?

Paulo Lima: Normalmente Verão é tempo de mais lazer, férias, desporto… e a Rádio de Cabo Verde tem sempre em conta a parte lúdica e a informação. A nossa programação vai ser actualizada, uma programação mais solta, levando em conta as dimensões que temos de informação, magazines, de cultura, desporto, campeonatos, taça de Independência, campeonatos de voleibol.

JL: Qual é a proposta ou o entendimento entre a RCV e a RCV+, sabendo que a RCV+ poderá ser vista como uma concorrência da sua própria casa-mãe?

PL: Não diria concorrência, até porquê a RCV+ foi criada da necessidade da extensão da RCV, é a mesma empresa, é mais uma complementaridade. A RCV que já tem o seu público, mais maduro onde podemos constatar isso através dos estudos feitos há dois anos que mostram onde estamos quanto à faixa etária... algumas deficiências na programação em termos da juventude, que quer programação leve, mais solta, mas claro, com informação, coisas que lhe permitam inserir-se no mercado de trabalho e competir com as novas tecnologias, correr atrás de novas oportunidades, informática.

Portanto não o vemos como concorrência mas sim como um complemento, onde a RCV vai beber na RCV+ e a RCV+ bebe na RCV em termos de programas. Aliás, na actual grelha tem um programa que é Top+ que acontece todos os Sábados de 12h á 12h30mn que é uma primeira experiência demonstrando que isso é possível. RCV produz mais informação, diários de desporto e notícias nacionais e internacionais, que a RCV+ vai buscar. A RCV tem técnicos e um corpo de jornalistas que preparam as notícias todos os dias e onde a RCV+ vai beber para preparar os seus serviços noticiosos. A partir daí ela trabalha a noticia com um novo formato mais leve, com jingles e batidas no fundo… e é o que a nossa juventude gosta…


Por: Any Brito