terça-feira, agosto 04, 2009

Carlos Santos de volta à direcção da RCV


De acordo com o administrador da RTC, Álvaro Ludjero Andrade, a nova direcção da rádio vai ter a missão de relançar a estação...

Praia, 03 Julho - O jornalista Carlos Santos acaba de ser nomeado Director da Rádio de Cabo Verde (RCV), cargo que volta ocupar um ano depois de se ter demitido.
Esta informação foi avançada ao início da tarde de hoje pela estação de rádio estatal e, ao que parece, sem rupturas com Paulo Lima, o director cessante.

De acordo com o administrador da RTC, Álvaro Ludjero Andrade, a nova direcção da rádio vai ter a missão de relançar a estação e continuar a liderar as audiências em Cabo Verde.
“É uma equipa, na qual apostamos muito. Já definimos as orientações a ter nos próximos tempos. A rádio está numa fase do seu relançamento e vamos avançar com novos padrões, tornar a RCV uma rádio actual, que continue a liderar”, espera Ludjero Andrade.

Sobre a substituição da direcção liderada por Paulo Lima, por esta de Carlos Santos, o administrador põe de lado cenários de ruptura.

“Estávamos a trabalhar com a direcção que encontramos e que na altura não encontrámos motivos para mudar. Depois de 8 meses, décimos avançar com uma nova equipa, precisamente para marcar as directrizes, deixar a marca do Conselho de Administração que tem um mandato”, explica, reconhecendo o trabalho da direcção cessante que tinha ainda Júlio Vera-Cruz Martins como Chefe do Departamento de Informação e Odair Santos na Programação.

Odair Santos que, entretanto, vai continuar no cargo, ao lado de Nélio dos Santos, a dirigir a partir de amanhã, 4 de Agosto, a informação.

sexta-feira, julho 24, 2009

PARABÉNS RCV

A Rádio de Cabo Verde foi ontem distinguida com um prémio pela cobertura jornalística que vem dedicando à Cidade velha. Foi a forma encontrada pela autarquia da Ribeira Grande de Santiago de reconhecer o trabalho desenvolvido pela RCV que, nos últimos tempos, tem de facto centrado a sua atenção no berço da nacionalidade.

Pese embora o simbolismo deste prémio, tem, pelo menos, o mérito de nos mostrar que é possível fazer mais e melhor. Isso passa, obviamente, por uma melhor organização interna, pelo derrube de alguns constrangimentos que interferem na engrenagem da produção informativa; por uma aposta na formação dos profissionais; na especialização por editorias; numa gestão de informação assente numa visão estratégica…

O mais importante: melhorar a motivação dos jornalistas e demais profissionais. Isso passa, claro, por desbloquear a carreira dos jornalistas (paralisada há quase dez anos), apostando no mérito e na competência, o que se consegue com a avaliação de desempenho. Colocar toda a gente no mesmo saco só contribui para a apatia e desmotivação gerais.

É de elementar justiça frisar que a distinção com que a Câmara Municipal da Rª Grande de Santiago achou por bem presentear a Rádio de Cabo Verde, no dia do município, se deve ao desempenho do jornalista Elisângelo Ramos (um dos mentores deste blogue) que, apaixonado pelas questões culturais, tem produzido excelentes reportagens sobre a cidade-berço. De entre estes trabalhos destacamos a série de reportagens especiais “Cidade Velha: Pedras que falam”.

Ainda no passado domingo, o jornalista produziu e apresentou um documento extremamente valioso sobre a atribuição à Cidade Velha do estatuto de Património da Humanidade. “O Sorriso da Nação”, assim se chama a grande reportagem que recupera esse género infelizmente desaparecido da rádio.

O Elisângelo fê-lo explorando as virtualidades da acústica da rádio, permitindo ao ouvinte experimentar outras sensações que não apenas através da audição. Ao ouvir a reportagem, vêem-se as grossas bátegas de água a acariciar a terra, rolando depois pelas ribeiras ressequidas; o céu a desabar com grande estrondo sobre a rua banana e o pelourinho; as caravelas a aproarem para junto da praia; sente-se o gemido contido do negro ao ser chicoteado junto da picota. De repente, ouve-se o repicar dos sinos na Sé; o céu abre-se num sorriso de alegria. É o sorriso das gentes simples que doravante só querem ver a sua vida melhorada… sim porque a cidade velha está na boca do mundo.

Lamento que o jornalista não tenha submetido esta grande reportagem ao prémio de jornalismo António da Noli. Por falar nisso, talvez o concurso ganhasse mais participação e competitividade se houvesse uma divisão por categorias: uma para a rádio, outra para a televisão e uma outra para a imprensa. Já agora que se aumente o valor do prémio. Jornalismo de investigação dá trabalho e custa dinheiro.

Na era da imagem, torna-se difícil, senão mesmo impossível, a rádio bater a televisão neste tipo de concursos. Por mais criativa que a reportagem da rádio seja. A televisão continua a fascinar com o poder demolidor da imagem. Não é à toa que é conhecida pela “caixa mágica”. Muito difícil será a tarefa para os jornais.

Ainda assim, gostaria de dar os parabéns a Isabel Silva Costa pelo excelente trabalho sobre a Cidade Velha. Uma série de pequenas peças, reportagens, bem elaboradas, numa escrita acessível, simples, própria da televisão. Isso demonstra que às vezes os recursos técnicos não são tão importantes. A criatividade, a inovação e a qualidade fazem toda a diferença. Para quê investir em megas produções, sumptuosas em termos de recursos técnicos e humanos, de orçamentos milionários, para o produto ser visto por meia dúzia de elites que acham que a televisão é cultura de massas?





quinta-feira, julho 23, 2009

OUVINTES MAIS EXIGENTES

Ao contrário do que acontece com as rádios temáticas, Praia FM, Crioula FM e Cidade FM, as rádios generalistas não procuram ter como alvo um público específico (p.e. jovens) na sua área de difusão, mas satisfazer o conjunto do público.

Isso obriga as rádios a considerarem os hábitos de audição e exigências de cada um dos públicos potenciais. Os jovens, os reformados, os desempregados, as donas de casa, os amantes de música jazz, de desporto… terão todos uma ou mais emissões que lhes são dedicadas, programas que vão ao encontro dos seus hábitos de audição radiofónica.

As rádios generalistas precisam de uma equipa de competências tão variadas quanto as suas emissões: informações, magazines, deporto, produção de programas culturais, económicos, políticos, animação de antena, etc. Em traços gerais, são rádios que se escutam com mais atenção do que as rádios musicais que simplesmente se ouvem.

No nosso panorama radiofónico, podemos apontar como exemplos de rádios generalistas, a Rádio Nova, a Rádio Comercial, a Rádio Educativa e a Rádio de Cabo Verde. Apesar de terem uma audiência delimitada, pela natureza da sua missão, as rádios comunitárias devem ter uma programação generalista. Contudo, cabe à RCV uma definição clara da sua programação devido ao compromisso que mantém com o Estado no sentido de prestar aos cabo-verdianos um serviço público de qualidade.

A exigência de um serviço público de rádio está, aliás, inscrita na Constituição da Republica (art. 9º) e desdobra-se na restante legislação do sector, com destaque para a lei da comunicação social (lei nº 56/v/98) e da rádio (lei nº 10/93).

Como muito bem disse há tempos neste blogue um seguidor atento, não existe diferença acentuada entre jornalistas da rádio e da televisão públicas e jornalistas dos órgãos privados, embora àqueles que trabalham nos órgãos de comunicação social de serviço público lhes seja exigido o cumprimento escrupuloso das normas éticas e deontológicas da profissão, bem como uma maior consciência da responsabilidade social adveniente do estatuto de operador público.

De igual modo, pensamos que não há um jornalismo para o serviço público de rádio e um jornalismo para as estações privadas. Mas, pode (e deve) haver uma informação que será mais específica aos operadores públicos. Até porque, uma estação pública e uma estação privada não seguem, pelo menos teoricamente, a mesma engenharia de programação e as mesmas prioridades.

Significa isso dizer que a grelha de um canal generalista de serviço público, no que diz respeito à informação, não pode ser saturada de conteúdos de entretenimento, nomeadamente em horário nobre, devendo, antes, ocupar esse segmento com formatos que contextualizem acontecimentos, que promovam o debate social e que ajudem a dar relevância a realidades que permanecem na sombra.

Embora seja difícil encontrar uma única definição que nos remeta para a essência de uma informação de serviço público, podemos expor algumas linhas de acção para uma programação de informação para os canais públicos. Assim devem:

Proporcionar uma visão global e contextualizadora dos factos;
Procurar o contraste de fontes diversificadas;
Fazer uma rigorosa depuração dos factos;
Promover o aprofundamento das consequências sociais, politicas e económicas dos factos;
Debater-se por um equilíbrio na cobertura territorial, social e cultural;
Introduzir um enfoque pluralista e imparcial nas opiniões veiculadas.

Será que estamos a fazer isso? Não é essa, pelo menos, a opinião das pessoas ouvidas em sede do segundo inquérito à satisfação e audimentria dos órgãos de comunicação social. Exigem que os conteúdos (a começar pelas notícias/programas de informação) sejam variados e de qualidade.

terça-feira, julho 21, 2009

OS DIAS DA RÁDIO

Nuno Sardinha (RDP-África) e Carlos Santos (RCV)
O último inquérito à satisfação e audimentria dos órgãos de comunicação social traz alguns dados que nos interpelam a uma reflexão crítica aturada. Tarefa que cabe a todos, profissionais, ouvintes, leitores e telespectadores mas, sobretudo, aos responsáveis pela gestão dos órgãos.

Não é minha intenção fazê-lo neste blogue. De todo o modo, apraz-me tecer alguns comentários, tendo, desde logo, como ponto de partida, os resultados da pesquisa sobre as rádios.

Uma vez que a pesquisa se realizou em Março deste ano, não se percebe por que não existem, em todo o estudo, quaisquer referências à RCV+, o canal jovem da Rádio de Cabo Verde. Espera-se que a direcção da RCV tenha já requerido explicações plausíveis à Direcção Geral da Comunicação Social, promotora do estudo, e que esteja em condições de no-las apresentar.

A RCV+ está no ar desde os finais de Dezembro de 2007, tem uma programação própria, de 24 horas non stop, dirigida preferencialmente ao segmento jovem do público. Tem frequência própria, 95.5, a mesma que é também sintonizada em S. Vicente e arredores.

A não inclusão da RCV+ na medição do grau de satisfação dos ouvintes e de audimetria beneficia directamente a Praia FM, estação que aliás consolidou a sua posição de liderança na capital e alargou a sua notoriedade dirigida a nível nacional. Aliás, diga-se em abono da verdade, a jovem estação é a que, de acordo com os dados, mais subiu, apesar de a RCV ter mantido a sua posição de líder de audiência a nível nacional.

Ora, acreditamos que caso a RCV+ fosse tida em conta no questionário, a Praia FM não teria os resultados que alcançou. Convém não esquecer que em Cabo Verde o efeito novidade conta muito. A Praia FM está há dez anos no ar e já apresenta alguma saturação em termos do formato. Isso não significa que a RCV+ não precisa reavaliar a sua estratégia, aproximando-se mais das expectativas do seu público.

Não deixa contudo de ser estranho que a RCV+ não apareça sequer na “notoriedade espontânea”. Ou seja, quando se pede ao ouvinte que indique os nomes (aqueles de que se recorda) de algumas rádios que costuma ouvir. Ninguém se ter lembrado da RCV+, é obra!

Muito estranho. A RCV+ é silenciada e inclui-se no estudo uma rádio que há um ano está fora do ar: a Mosteiros FM. Como é possível que se peça aos inquiridos que se pronunciem sobre a programação de uma rádio que, no momento da realização do inquérito, está fechada devido ao acumular de constrangimentos técnicos e financeiros?

Quando é que em Portugal se ia meter num estudo da audiência apenas a RDP, esquecendo-se que ela se divide em canais: Antena 1, Antena 2, Antena 3, RDP-Africa, etc? A própria RR tem também o seu canal jovem, a RFM que é, aliás, líder de audiências. Bom, deixemos este descaso para os responsáveis.

O estudo mostra que há ainda em Cabo Verde um número considerável de pessoas que ouvem a rádio mais de 6 horas por dia, mas há, contudo indicações de que esse cenário está a mudar. Com o passar dos anos, com a massificação da Internet, com uma oferta televisiva cada vez mais de qualidade, a rádio irá gradualmente perder audiência, embora jamais deixará de ser ouvida. O que é certo que as audiências não serão tão astronómicas como as que se registam hoje.

O estudo faz uma divisão de águas em relação a audiência das várias rádios. Mostra que a RCV e, em menor grau, a Rádio Nova, têm a preferência dos adultos (mais homens) e sobretudo daqueles que possuem o pós-secundário. A Praia FM e a Crioula FM são mais apreciadas pelos jovens, o que não surpreende, uma vez que são estações temáticas (música e publicidade) direccionadas à faixa dos 14 aos 25 anos.

Falemos dos conteúdos. Os inquiridos pedem programas variados e de qualidade. As notícias devem ser melhoradas dizem os ouvintes que, para já, dão preferência à música. Os programas de debate, culturais e educativos merecem a preferência de apenas (pasme-se) 7% dos inquiridos. Isto dá que pensar, por isso deixo-o para o próximo post.

segunda-feira, julho 20, 2009

Brasil: diploma de jornalismo já não é obrigatório

O Supremo Tribunal Federal brasileiro acaba de decidir que o diploma de ensino superior como condição para o exercício legal do jornalismo não pode mais ser considerado obrigatório. A notícia acaba de ser dada por Rogério Christofoletti, no blog Monitorando, mas está em muitos outros sítios.

Esta decisão segue-se a anos de polémicas e de processos em sucessivas instâncis do sistema judicial brasileiro. O assunto dividia claramente as opiniões no sector dos media, ainda que se notasse uma clivagem de posições entre uma boa parte da classe jornalística e de pesquisadores do jornalismo), por um lado, e os responsáveis de empresas mediáticas e respectivas associações, por outro. Estes últimos defendiam, claro está, a liberalização do processo de entrada na profissão.

Este assunto é muito interessante, do ponto de vista da análise comparativa. Na Europa, por exemplo, na esmagadora maioria dos países, a exigência de requisitos para além dos básicos, não é aceite. E quando o legislador quer tornar obrigatória a titularidade de um diploma, como aconteceu recentemente em Portugal, a oposição surge de imediato. A questão coloca-se entre o direito e a liberdade de informar, que as constituições democráticas consagram, e que não pode ser objecto de limitações, e o direito dos cidadãos a uma informação de qualidade, necessária, inclusive, ao exercício esclarecido da própria liberdade e direito de informar e do exercício da cidadania, em geral.

Recorde-se que, em processo paralelo a este, nos últimos meses, tem decorrido, também no Brasil, um debate para a definição de directrizes curriculares para a formação superior em Jornalismo. O processo é coordenado por uma comissão nomeada pelo Governo Federal e presidida pelo prof. Marques de Melo. Depois de várias reuniões com parceiros e audições públicas, está previsto que o relatório final seja entregue em Agosto próximo.

Fonte: Jornalismo e Comunicação

terça-feira, julho 14, 2009

DJARMAI LIVRE NO AR

Dr. Di, Animador

Apesar da incerteza que paira sobre o futuro das rádios comunitárias, caso não surjam mecanismos exequíveis e transparentes com vista a sustentabilidade financeira das suas actividades, elas continuam decididas em investir na formação dos responsáveis e animadores.

Não obstante o reduzido número de horas por vezes dedicadas às acções de formação, as rádios comunitárias sabem que só com o conhecimento teórico e o saber prático estarão em condições de responder com satisfação às necessidades das comunidades em matéria de informação, formação e entretenimento.

Neste sentido, a “Rádio Comunitária Voz di Djarmai” acaba de realizar mais uma recliclagem destinada ao director, aos membros do conselho comunitário e aos animadores. Durante 20 horas os participantes receberam noções relativas à escrita para a rádio; a leitura/falada (com as componentes, entoação, modulação, vocalização/dicção, respiração, tom, timbre, ritmo); o directo e a animação de antena.
Carlos Santos, Sansy, Di

Espera-se que RCVD passe a prestar a partir de agora um melhor serviço público à comunidade, dando corpo às obrigações constantes do regulamento das actividades das rádios comunitárias. A Rádio Comunitária Voz di Djarmai, cuja emissão é escutada praticamente em toda a ilha através da frequência 89.5, é gerida pela Associação Para o Desenvolvimento do Morrinho e tem como director o jovem dinâmico Sansy Silva Moreno.

A RCVD é a única que cumpre escrupulosamente a lei das rádios comunitárias: abre às 7:30 e termina a sua emissão às 19:30, imagine-se com direito ao hino nacional de manhã à noite; não faz publicidade (spots), apenas pequenos anúncios não comerciais, dependendo o seu funcionamento do voluntarismo dos animadores, dos membros do conselho comunitário e de pequenos patrocínios.

Embora não haja qualquer estudo científico, depreende-se que os programas e os locutores da RCVD são muito apreciados pela comunidade. A grelha não difere muito das outras rádios que têm como referência a Rádio de Cabo Verde.

segunda-feira, julho 13, 2009

Ainda o Estudo de Audimetria

Como forma de melhor se perceber o nível de audiência e a satisfação dos ouvintes em relação à prestação das rádios em Cabo Verde, o KRIOL RÁDIO inicia hoje a divulgação faseada, e posterior analise, do estudo. Contamos com os seus comentários.

Notoriedade Espontânea
A RCV continua a ser a rádio mais citada espontaneamente pelos inquiridos. À semelhança de 2007, foi indicada espontaneamente por cerca de 4 em cada 10 inquiridos, sendo que as proporções acima da média foram registadas no Sal (69%) e em S. Vicente (52%), enquanto que em Santa Catarina, somente 1/5 dos entrevistados, apontaram espontaneamente o nome dessa rádio. A Praia FM é a segunda mais indicada, alcançando os 21%, ou, seja, comparativamente a 2007, aumentou em seis pontos percentuais, sendo Praia e Santa Catarina, os principais responsáveis por esse desempenho.

De resto, importa referir que não se registou nenhuma alteração na ordem das citações, relativamente a 2007, seguindo as duas rádios já mencionadas, a Rádio Nova (18%), a Crioula FM (11%) e as demais rádios com pouca expressão. Os homens são os que mais indicaram espontaneamente a RCV (44%, contra 32% das mulheres), enquanto que a Praia FM e a Rádio Nova, foram lembradas em maiores proporções pelas mulheres. Para a crioula FM, não se registou diferença entre os sexos.

Numa análise por nível de instrução, constata-se que a RCV foi mencionada em maior proporção pelos indivíduos com o nível pós-secundário, enquanto que Praia FM e a Crioula FM, foram citadas mais vezes entre os de nível secundário. Quanto à Rádio Nova, nota-se que é indicada especialmente entre os indivíduos sem nenhuma instrução. A citação espontânea da RCV e da Rádio Nova cresce com a idade, e para a Praia FM e a Crioula FM, regista-se o contrário, ou seja, são citadas espontaneamente em maior proporção entre os jovens, e à medida que aumenta a idade dos inquiridos, diminui a citação a essas rádios.

Notoriedade Dirigida
No que concerne à notoriedade dirigida, nota-se que praticamente todas as rádios diminuíram a sua performance relativamente a 2007, à excepção da Praia FM, Crioula FM e as rádios comunitárias. Deste modo, a Crioula FM é a rádio mais conhecida com 82% de citações, juntamente com a RCV que alcançou os 81%, menos doze pontos percentuais comparativamente a 2007. A Praia FM viu crescer a sua notoriedade dirigida a nível nacional, passando de 63% em 2007, para 72% actualmente. É a rádio com maior notoriedade dirigida, quer na capital (97%), quer em SantaCatarina (89%), enquanto que a RCV é a mais conhecida em S. Vicente (98%) e no Sal (95%).

A Praia FM é mais conhecida entre as mulheres, ao contrário da Crioula FM que recebe a maior proporção de citações entre os homens. Para a RCV e para a Rádio Nova, não se registou nenhuma diferença em termos de sexo. A Crioula FM e a Praia FM são citadas mais vezes entre os jovens, enquanto que a RCV e Rádio Nova conhecem melhores resultados entre os inquiridos com mais idade. A RCV, a Crioula FM e a Praia FM, alcançam níveis de notoriedade dirigida expressiva entre os indivíduos de todos os níveis de instrução, com destaque para aqueles que têm o nível pós-secundário, ao contrário da Rádio Nova, que atinge a sua maior performance entre os inquiridos sem nenhuma instrução.

Frequência com que Sintoniza a Rádio
A RCV é a rádio sintonizada com mais frequência por mais de metade dos cabo-verdianos, com 54% a afirmarem que têm o hábito de sintonizar essa rádio, seguida pela Praia FM (31%), Crioula FM (30%) e a Rádio Nova (29%). A RDP África foi citada por cerca de 11% dos cabo-verdianos, a Mosteiros FM, a Rádio Morabeza e a Rádio Educativa por 8%, ex-aequo e a Rádio Comercial por 7%. Relativamente a 2007, praticamente todas as rádios aumentaram as respectivas audiências, contudo, importa salientar que no ranking das classificações, a Crioula FM foi ligeiramente ultrapassada pela Praia FM ao nível nacional, devido sobretudo à liderança das audiências conseguidas por esta última na Praia, com cerca de 59% de citações.

A RCV é sintonizada com mais frequência pelos homens, enquanto que a Praia FM e a Rádio Nova são mais ouvidas pelas mulheres. Para a Crioula FM a audiência é repartida de forma igual entre os dois sexos. A Praia FM e a Crioula FM continuam a disputar o segmento mais jovem, pois, são sintonizadas com mais frequência entre os indivíduos com a idade compreendida entre os 15 a 24 anos, ao contrário da RCV e da Rádio Nova que são sintonizadas preferencialmente pelos indivíduos mais idosos. A audiência da RCV é maior entre os indivíduos com o nível pós-secundário, enquanto que os de nível secundário concentram as suas audiências basicamente na Praia FM e na Crioula FM.

Tempo que escuta a Rádio Diariamente
Os cabo-verdianos de uma forma geral continuam a dispensar muitas horas a escutar a rádio. Assim, cerca de 1/5 assumem escutar a rádio diariamente, em média mais de 6 horas, e praticamente metade (48%) dedica mais de 3 horas por dia a escutar a rádio. É na Praia que os indivíduos dedicam mais tempo a escutar a rádio, com 6 em cada 10 a declararem que em média demoram mais de 3 horas diariamente, sendo que destes, 27% dispensam mais de 6 horas por dia.

Relativamente a 2007, aumentou a proporção dos que dedicam menos de 1 hora por dia a escutar a rádio, passando de 10%, para 20% actualmente, ao mesmo tempo que aumentou a proporção dos que dedicaram mais de 6 horas, passando de 15% em 2007, para 21% em 2009.

São os mais jovens, isto é indivíduos com a idade compreendida entre os 15 a 24 anos, aqueles que dedicam em média mais de 6 horas diárias a escutar a rádio. Por nível de instrução e por sexo, não se nota diferenças dignas de registo.

Programas da sua Preferência
A música e a notícia são os programas de preferência da maioria dos ouvintes da rádio, à semelhança do que se constatou em 2007. Assim, cerca de 41% indicaram os programas musicais como sendo os seus preferidos, contra 33% que apontaram a notícia. Esta é indicada em maior proporção no Sal (40%) e no Fogo (37%), enquanto que a música atrai mais ouvintes em Santa Catarina (44%) e em S. Vicente (36%).

Os programas de debate, culturais e educativos foram indicados por somente 7% dos inquiridos. O debate, assume alguma expressão entre os ouvintes do Sal, alcançando os 9%. Os noticiários ganham maiores preferências entre os indivíduos acima dos 45 anos, enquanto que a música é por excelência preferida entre os mais jovens, alcançando os 56% entre os indivíduos com a idade compreendida entre os 15 a 24 anos, contra os 21% registados entre aqueles com 55 anos e mais. Os noticiários alcançam maiores audiências entre os indivíduos sem instrução, e a música é mais preferida por aqueles que possuem o secundário. A música também é mais preferida pelas mulheres do que pelos homens, enquanto que a notícia é preferida de forma igual pelos indivíduos de ambos os sexos.

Programas das suas Preferências
Os programas indicados como os preferidos são escutados em maiores proporções na RCV, Praia FM e Crioula FM, com 37%, 18% e 13%, respectivamente. Relativamente a 2007, a RCV apesar de continuar a sua liderança, perdeu algum espaço essencialmente para a Praia FM, que aumentou em sete pontos percentuais a proporção dos que escutam os seus programas preferidos nessa rádio.

Os jovens escutam em maiores proporções os programas das suas preferências na Praia FM e na Crioula FM, contrariamente à RCV e à Rádio Nova que foram mais citadas à medida que aumenta a idade dos inquiridos. Os homens escutam em maiores proporções os programas de suas preferências na RCV, contrariamente às mulheres que indicaram a Praia FM e a Crioula FM.
Programas da sua Preferidos
A fidelidade demonstrada pelos inquiridos aos programas de suas preferências continua elevada, com mais de metade (56%) a declarar que escuta sempre o seu programa, sobretudo no Fogo (70%) e na Praia (63%). Contudo, aumentou a proporção dos que afirmam que poucas ou raras vezes escutam esses programas, passando de cerca de 6% em 2007, para 13%, actualmente, sobretudo em Santa Catarina, onde alcança os 23%. Não se detectou nenhum padrão definido, quer em termos de idade, de instrução ou de sexo.


Frequência com que Escutou Rádio nos Últimos 3 Meses
Cerca de 2/3 dos cabo-verdianos escutam a rádio todos os dias, especialmente no Sal (74%) e no Fogo (73%). Em Santa Catarina, a proporção é de 46%. Entretanto, ao compararmos com o ano de 2007, verifica-se que diminuiu em cerca de doze pontos percentuais a proporção dos que confirmam escutar a rádio todos os dias, ao mesmo tempo que aumentou a dos que declaram escutar a rádio entre 2 a 3 dias por semana, passando de 10%, para 19%, no mesmo período.


Horário que Escuta a Rádio
As rádios continuam a ter os seus piques de audiência no período de manhã com (49%), aumentando em cerca de seis pontos percentuais a proporção dos que indicaram esse período, comparativamente a 2007. O período da tarde também apresenta uma audiência considerável, com 33%, seguido pela noite que fica nos 18%. O período de manhã é o preferido no Fogo e em S. Vicente, por cerca de 56% e 55%, dos entrevistados respectivamente, enquanto que o período da tarde é mais apreciado no Sal, com 43% e o da noite, atinge a sua melhor performance em Santa Catarina, com 32% de indicação.

As mulheres normalmente costumam escutar a rádio principalmente de manhã, enquanto os homens fazem-na à noite. No período da tarde a audiência está repartida de forma
equilibrada entre os dois sexos. A audiência de manhã aumenta com o nível de instrução, isto é, é mais baixa entre aqueles sem instrução (44%) e mais elevado entre os que possuem o nível pós-secundário (60%). À tarde, verifica-se o contrário, ou seja, é maiorentre os indivíduos sem instrução (40%) e diminuí à medida que aumenta o nível de instrução, alcançando os 24% entre os de nível pós-secundário.


Locais onde Escuta a Rádio

A casa continua a ser o local onde a maioria dos cabo-verdianos escutam a rádio, com 92% de citações, o que representa um aumento de seis pontos percentuais, comparativamente a 2007. É em S. Vicente (96%) e em Santa Catarina (94%) que se regista as proporções acima da média, contra os 90% na Praia e no Fogo. O local de trabalho é o segundo lugar mais citado, com cerca de 12%, sobretudo no Sal, onde alcança uma proporção considerável (22%), contra os 13% registados em S. Vicente e no Fogo e os 10% na Praia.

São os indivíduos com os níveis mais elevados de educação, que escutam a rádio em maior proporção no local de trabalho. Em casa não se regista um padrão definido. A proporção de mulheres que costuma escutar a rádio em casa é superior a dos homens, enquanto que no trabalho verifica-se o contrário, ou seja, a proporção de homens que declara escutar a rádio nos seus locais de trabalho (15%) é superior ao das mulheres (9%).
Em que locais costuma escutar rádio Praia Fogo Total
Cerca de 8 em cada 10 cabo-verdianos afirmam que nas suas casas, entre 1 a 4 pessoas costumam escutar a rádio habitualmente, representando um aumento de dez pontos percentuais, comparativamente a 2007. As proporções acima da média foram registadas em Santa Catarina (81%), no Sal e no Fogo, com 80% ex -aequo e na Praia, com 79%. Em S. Vicente, continua expressiva (26%), a proporção dos que declaram que entre 5 a 9 pessoas costumam escutar a rádio nas suas casas.

Avaliação da Qualidade dos Programas
A qualidade dos programas da rádio de uma forma geral é considerada como sendo boa/muito boa, por cerca de 77% dos inquiridos. Comparativamente a 2007, nota-se uma aumento de doze pontos percentuais na avaliação positiva, ao mesmo tempo que diminuiu de 35%, para 23% a percentagem dos que classificaram-na de razoável. As avaliações mais positivas foram registadas em Santa Catarina (87%), na Praia (84%) e no Fogo (80). A proporção da avaliação boa/muito boa tende a diminuir com o nível de instrução e é mais elevada entre os indivíduos com idade igual ou superior a 55 anos. As mulheres são as que avaliaram mais positivamente a qualidade dos programas da rádio (72%, contra 69% entre os homens).


Avaliação da Qualidade dos Jornalistas da Rádio
A qualidade dos jornalistas da rádio também é considerada de boa/muito boa, por cerca de 73% dos inquiridos, melhorando substancialmente a sua performance comparativamente a 2007, em cerca de dezasseis pontos percentuais. Os valores acima da média foram registados em Santa Catarina (86%), na Praia (79%) e no Fogo (78%).

À medida que aumenta a idade dos inquiridos, aumenta a proporção dos que atribuíramuma classificação de boa/muito boa à qualidade dos jornalistas da rádio. Contudo, esta performance diminui com o nível de instrução, ou seja é mais elevada entre os indivíduos sem instrução (86%) e mais baixa entre os que possuem o nível pós-secundário (48%). As mulheres também são mais benevolentes na classificação dos jornalistas, comparativamente aos homens (76%, contra 70%).


Principais Aspectos a serem Melhorados na Rádio
Maior variedade e qualidade dos programas (23%) e mais informações de qualidade, são os aspectos que os ouvintes da rádio consideram que poderiam ser melhorados. Os resultados indicam claramente, que os ouvintes da rádio continuam a reivindicar uma melhor qualidade nos serviços de notícia da rádio. Permaneceu praticamente idêntica a proporção dos que são de opinião que nada precisa ser melhorado (20%), ao mesmo tempo, que cerca de 9% apelam para mais formação aos jornalistas. Mais informações de quali dade é reivindicado em maior proporção entre os indivíduos sem nenhuma instrução, enquanto que aqueles que possuem o nível pós-secundário gostariam que se introduzisse uma maior variedade e qualidade nos programas. São os homens que em maior proporção reivindicam essasmudanças, ao contrário das mulheres (34%) que consideram que nada precisa ser melhorado, contra 16% dos homens.

Avaliação da Qualidade das Rádios
Mosteiros FM
Instados a pronunciarem sobre a qualidade geral de cada uma das rádios, os caboverdianos mantêm praticamente a mesma opinião expressa em 2007, ou seja, avaliam-na de uma forma bastante positiva. De realçar ainda, que as alterações registadas na “tabela classificativa” foram mínimas, com a RCV pela segunda vez consecutiva a ocupar a primeira posição (83%), seguida pela RDP-África (77%). Praia FM surge logo a seguir com (76%), seguida pela Rádio Educativa e pela Rádio Nova, com 75% ex-aequo. Crioula FM com 71%, Rádio Comercial (64%) e Mosteiros FM (57%) são as rádios que seguem na classificação. Mais uma vez, a Rádio Morabeza ocupa o último lugar, com 48% de classificação boa/muito boa. Como referimos anteriormente, cerca de 57% dos cabo-verdianos classificaram como sendo boa/muito boa a qualidade da Rádio Mosteiros FM, sensivelmente a mesma performance alcançada em 2007. Consegue os melhores resultados na Praia, Santa Catarina e no Sal, com 2 em cada 3 inquiridos a atribuírem-lhe uma classificação de boa/muito boa.


Praia FM
A Praia FM é a rádio que registou maior crescimento em termos de avaliação positiva, comparativamente a 2007. Deste modo, cerca de 76% consideram-na como tendo uma qualidade boa/muito boa, um crescimento de quinze pontos percentuais, relativamente à primeira classificação, o que lhe permitiu conquistar a terceira posição nesse quesito particular. Os resultados acima da média foram registados na Praia (85%) e em Santa Catarina (82%), enquanto que em S. Vicente, pouco mais de 1/3 dos inquiridos classificaram-na como sendo boa ou muito boa. No Sal, a proporção alcançada é de 65% e no Fogo, manteve-se praticamente o mesmo, (45%).

Crioula FM
A Crioula FM cresceu em cerca de onze pontos percentuais, comparativamente a 2007, passando de 60% para 71%, a proporção dos que consideram-na como sendo boa/muito boa, principalmente devido aos resultados obtidos na Praia (83%), em Santa Catarina (81%) e no Sal (77%).

RCV
A RCV é a rádio que conquista a maior simpatia dos cabo-verdianos no que concerne à avaliação da qualidade de uma forma geral. Assim, como em 2007, continua a liderar a “tabela classificativa” com cerca de 83% de avaliação positiva, contra os 76% alcançados anteriormente. A avaliação boa/muito boa, ultrapassa os 75% em todos os domínios de estudo, sendo de destacar a Praia e Santa Catarina, onde atinge os 90% e 87%, respectivamente.

Rádio Comercial
A Rádio Comercial mantém uma boa performance com 64% de avaliação positiva, o que representa um aumento de nove pontos percentuais, comparativamente a 2007. Continua a alcançar os melhores resultados na Praia (74%) e em Santa Catarina (76%) e os mais baixos no Fogo (43%) e em S. Vicente (47%).

Rádio Morabeza
A Rádio Morabeza é a menos apreciada pelos cabo-verdianos e consequentemente aquela que conquista a menor proporção de avaliação boa/muito boa (48%). Praia e Sal, são dois domínios de estudo onde a avaliação da qualidade desta rádio é bastante satisfatória, alcançando os 65% e 55%, respectivamente de classificação boa/muito boa, ao contrário de Santa Catarina e de S. Vicente, onde mais de metade dos inquiridos consideram-na como apenas razoável. No Fogo, cerca de ¼ dos inquiridos avaliaram-na negativamente, atribuindo-lhe a classificação de má/péssima.


RDP - África
A RDP-África está classificada em segundo lugar no quesito qualidade geral, com 77% de avaliação boa/muito boa, registando assim, um crescimento de nove pontos percentuais,
Comparativamente a 2007. Os resultados acima da média foram registados na Praia (80%) e em S. Vicente (78%), enquanto que no Fogo, pouco mais de metade dos inquiridos (54%) atribuíram-na uma nota positiva.

Rádio Educativa
A Rádio Educativa continua bem posicionada na avaliação da sua qualidade geral, segurando o quarto lugar conquistado em 2007. Cerca de 75% dos inquiridos consideram-na como tendo uma boa/muito boa qualidade, contra os 61% alcançados no período anterior. As proporções acima da média foram registadas na Praia (84%), no Fogo e em Santa
Catarina, com 77% ex-aequo.


Rádio Nova
A Rádio Nova também foi avaliada como tendo uma qualidade geral boa/muito boa, por cerca de 75% dos inquiridos, conquistando assim, um lugar ao lado da Rádio Educativa na “tabela classificativa”. Este resultado, deve-se sobretudo à boa performance alcançada no Fogo (87%), em Santa Catarina (81%) e na Praia (76%).
Satisfação com os Serviços Prestados pela Rádio
O nível de satisfação com os serviços prestados pela rádio cresceu de 2007 para 2009, passando de 80%, para 86% no período em referência. A proporção dos que se declararam satisfeitos/muito satisfeitos é mais acentuada em Santa Catarina (92%) e no Sal (88%), contra os 85% registados na Praia e 84% em S. Vicente. A proporção dos que se sentem mais ou menos satisfeitos, decresceu de 18% para 13% no mesmo período.

As mulheres declaram-se mais satisfeitas do que os homens (89%, contra 83%). Os indivíduos sem nenhuma instrução são os que em maior proporção mostram-se mais satisfeitos com a qualidade dos serviços prestados pela rádio, alcançando os 94%, contra 65% entre os do nível pós-secundário. Por grupo etário, o maior nível de satisfação é registado entre aqueles que possuem a idade compreendida entre os 45 a 54 anos (93%).